Evolução da Banda Desenhada na Madeira


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A EVOLUÇÃO DA BANDA DESENHADA NA MADEIRA
por Roberto Macedo Alves

Olhar para a evolução da Banda Desenhada na Madeira é olhar para um processo de mudança de mentalidades que progressivamente foi fazendo com que a BD ganhasse uma nova aceitação por parte do público e das entidades culturais que até então a consideravam uma forma de arte inferior, ou simplesmente desconheciam o seu potencial quer artístico quer pedagógico.
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A visão redutora de alguns pais e professores condicionou uma abordagem mais assertiva relativamente à BD por parte do seu potencial público.
Recordo-me com alguma angústia e, porque não, repúdio, de um episódio que vivenciei na feira do livro do Funchal em 2005. Uma turma do Primeiro Ciclo do Ensino Básico em visita de estudo, foi claramente impedida de aproximar-se do stand de uma loja de BD, pela atitude presunçosa de uma professora que, limitada certamente na sua vertente de expressão plástica, replicava: “Não toquem nessas coisas, que são livros que não valem a pena.

05-05-2005_DNOTICIAS
Três anos volvidos, reconheço que a percepção em torno da BD alterou-se. Para isso contribuíram algumas iniciativas em prol da divulgação desta forma de expressão. Sendo assim, talvez valha a pena olhar para esse percurso.
Um desses contributos foi a inauguração da Livraria Sétima Dimensão na cidade do Funchal, tornando-se rapidamente num ponto de encontro de criadores, admiradores e curiosos. O espaço converteu-se não só num ponto de venda regional de BD, como também numa espécie de “café de letras” onde, na ausência do café, não faltam as letras e as imagens como leitmotif para tertúlias empolgantes e construtivas sobre o passado, presente e futuro da criação de BD a nível Regional.

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Em Abril e Junho de 2005, como parte das Jornadas de Arte e Design da Universidade da Madeira, foram organizadas conferências sobre Banda Desenhada destinadas ao público em geral, para dar a conhecer a diversidade de trabalhos, temáticas e técnicas que existem. Tentou-se desmistificar que a BD conjugava-se em dois termos: “Astérix e Tintim”.
Em termos comerciais, eventos como os “Free Comic Book Days” celebrados desde 2004 atraíram novos públicos e o regresso de antigos coleccionadores que tinham encontrado no mercado nacional uma fuga ao vazio de comercialização de BD na Madeira.
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Em 2006, aproveitando o número crescente de entusiastas interessados em fazer BD, foram realizados os primeiros eventos intitulados “12 Horas de BD”: o primeiro no espaço da Sétima Dimensão, em Fevereiro desse mesmo ano; o segundo, em Maio, no decorrer das actividades da Feira do Livro da Cidade do Funchal – que contou com a presença de José Carlos Fernandes, na sua primeira visita a este evento regional. No seguimento destas “maratonas” de criação de BD, espaços como a Mouraria – Galeria de Arte abriram as suas portas para a exposição dos trabalhos elaborados no âmbito das 12 horas. Foi precisamente esta exposição que inaugurou o Project Room desta Galeria de Arte, com feedback positivo por parte do público. Por essa altura, o Diário de Notícias da Madeira publicava um texto onde se dizia que “A Banda Desenhada não é só uma forma de expressão; em várias das suas manifestações atinge mesmo e inquestionavelmente o estatuto de arte. Uma arte que influenciou a civilização moderna, criando novos modos de ver, assumindo formas mais populares ou mais eruditas e marcando decisivamente a contemporaneidade.”


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Entusiasmados pela experiência das “12 horas de BD”, os participantes desejaram participar no “24 Hour Comics Day” em 2006, tendo sido o Funchal a única cidade portuguesa a participar nesta maratona mundial de criação de BD, desta vez com o apoio da Direcção Regional da Juventude. Participaram nesta iniciativa 32 jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 35 anos. Excertos de dois dos trabalhos desenvolvidos nesse ano, foram incluídos na antologia anual publicada pela organização do evento, nos Estados Unidos.
Em 2007 foram publicados os primeiros fanzines organizados pela Sétima Dimensão, como o “Nevermind the dog, beware of the owner”, com argumento do galerista Ricardo Ferreira e desenho do escultor Sìlvio Sousa Cró. Nessa altura, o Diário de Notícias da Madeira dizia que “a sociedade regional está lentamente a encarar a banda desenhada com outros olhos, aceitando um tipo de criação que é considerado como a nona arte”.
Em Janeiro de 2007 a instalação “Ocvlvs Animi Index: os olhos são a janela da alma” na Mouraria – Galeria de Arte apresentou uma visão da história da arte e da religião contada em pranchas gigantes de BD. Em Julho de 2007, a “Opera Graphica” apresentou no Espaço Magnólia uma série de vinhetas de BD pintadas em aguarela inspiradas em excertos de diversas óperas tais como o “Don Giovanni”, o “Candide” ou “La Traviata”.
Em Abril de 2007, durante a Feira do livro do Funchal, foi lançado o “Ocvlvs Animi Index: Os olhos são a janela da Alma”, primeira obra de BD por um autor regional, numa edição limitada e numerada de 100 exemplares, que esgotou na durante a feira. A visibilidade que a BD teve nesta feira do livro, fez com que a Direcção Regional da Juventude organizasse um workshop de criação de BD em parceria com a Sétima Dimensão.
A aceitação do workshop fez com que a Direcção Regional da Juventude disponibilizasse um melhor espaço para o “24 Hour Comics Day” de 2007, que decorreu no espaço da Pousada da Juventude, na Quinta da Ribeira. Neste evento, foram disponibilizados no portal youtube vídeos de hora a hora que apresentavam a evolução dos trabalhos. Depois do evento, os vídeos e os trabalhos foram expostos em mais um Project Room na Mouraria – Galeria de Arte.

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No ano 2008, a quinta edição do concurso “Funchal 500 anos de História” iniciativa conjunta da Câmara Municipal do Funchal, Secretaria Regional de Educação e Cultura e  Empresa Municipal Funchal 500 anos incluiu pela primeira vez a Banda Desenhada como modalidade de expressão na categoria das Artes Plásticas.